
Vanda Fagundes Queiróz
Breve Biografia
Vanda Fagundes Queiroz, escritora, poetisa, cronista, trovadora, declamadora, memorialista, contista, professora, nasceu em 1938, na vila de Santo Antonio da Boa Vista, município de São João da Ponte, norte de Minas Gerais. Viveu parte de sua infância na Fazenda Tipis.
Com 7 anos de idade iniciou o curso primário na cidade de Ibiracatu, naquela época uma pequena vila. Logo de início, aflorou a tendência para a arte de ler e escrever, e a menina tornou-se poetisa. Não havendo ali estudos posteriores às três séries primárias, a professora Dona Lourdes insistiu junto à família para que a menina fosse mandada para a cidade próxima, a fim de continuar os estudos. Não obstante as dificuldades enfrentadas pela mãe, viúva com seis filhos pequenos, Vanda foi estudar em Montes Claros, interna no Colégio Imaculada Conceição, dirigido por freiras, o único da cidade. Não havia escolas públicas. Fazer o quarto ano primário, o ginásio, o normal, era privilégio. Mas o êxito da menina pobre compensava o sacrifício. Se formou no Curso Normal de Formação de Professores Primários.
Sua vida de infância, até a conclusão do curso primário, foi retratada com emoção no seu livro “Uma candeia na janela”, narração romanceada de seu contexto familiar, baseada em lembranças da infância, mas que indiretamente se faz registro de uma cultura regional, com seu linguajar próprio, culinária, costumes, tipos humanos, traços vivos de um determinado tempo e um determinado espaço restritos a uma rústica região do sertão mineiro.
Casou-se em 1958 e foi residir em Curitiba, Paraná. Trabalhou na Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos.
Em fins da década de 6O, enviou à página Literária do jornal curitibano Gazeta do Povo, alguns trabalhos. Entre eles, o poema "Queria..." que lhe logrou ganhar o prêmio-estímulo 1969.
Em 1971 iniciou o Curso de Letras (Português e Francês) na Universidade Católica do Paraná.
Seu marido foi transferido para a Base Aérea de São Paulo, Cumbica – Guarulhos, onde Vanda continuou trabalhando nos Correios, escrevendo e participando de concursos de Trovas e Poesia em todo o país. Licenciada em Letras, tornou-se professora da rede escolar paulista, lecionando, inclusive Francês. Pouco depois, efetivou-se como professora na Escola Estadual de Primeiro e Segundo Graus, em Guarulhos-SP. Em 1984 recebeu medalha de “Professor do Ano”, uma promoção da Prefeitura Municipal.
Foi a primeira mulher a ingressar na Academia Guarulhense de Letras (AGL). Ainda em Guarulhos, fez o Curso de Pedagogia Plena.
Premiadíssima nos concursos de poesias e trovas por todo o Brasil e às vezes em Portugal. No livro Conversa Calada, são sessenta (60) sonetos (incluindo uma versão para o Francês), versando sobre desencontro, esperança, tristeza, alegria, família, criança, flor, fantasia, filosofia, amor, saudade, vida, etc. Retornando a família em 1985 para Curitiba, Vanda aposentou-se do magistério e passou a ocupar-se com trabalhos de revisão de texto, além de desempenhar serviço voluntário na igreja.
Ocupa, hoje, a cadeira nº 12 da Academia Paranaense de Poesia. Pertence a UBT-Curitiba.
Pela sua obra literária, foi agraciada em 2008 com a Medalha de Mérito
“Fernando Amaro”, da Prefeitura Municipal de Curitiba. É detentora de inúmeras premiações nas mais diversas modalidades literárias. Só no âmbito da trova, conta com mais de quinhentas premiações.
Publicou as seguintes obras: “Trajetória” (Poesia), 1981; “Descortinando” (Poesia), 1990; “Conversa Calada” (Sonetos), 1990; “Uma candeia na janela” (Prosa), 1997 e “Uma luz no caminho” (Autobiografia), 2004.
Trovas
A UBT detém valores,
persistindo, vitoriosa ...
Gerações de trovadores
cultivando a mesma rosa!
Certas trovas são tão belas,
dão tal encanto e prazer,
que eu vejo, pensando nelas,
quanto preciso aprender!
Quem vê de perfil a Vida
não vive em totalidade,
sente a Vida resumida
somente em meia-verdade.
Chinelinho na janela,
belo sonho de criança...
Antes de fugir por ela,
Noel deixou a esperança!
Quando a trova ganha espaço,
sente a extensão incompleta,
pois o "muito" ainda é escasso
para a emoção de um poeta.
Faça o bem sem esperar
que alguém venha agradecer:
O pequeno verbo “dar”
é maior que “receber”!
Chora o nenê. Fico olhando
e me enlevo, a refletir:
a sua emoção chorando
faz minha emoção sorrir.
Eu sempre lutei sentindo,
nesta arena em que se vive,
a mão de Deus, dirigindo
cada conquista que eu tive!
Com a verve sempre nova,
e seja em que data for,
sempre que alguém compõe trova...
é dia do trovador.
Quando um motivo palpita,
em forma de inspiração,
antes de ser trova escrita,
passa pelo coração.
A vida, tão complicada
(quanta vez isto se prova!),
pode estar toda encerrada
na pequenez de uma trova.
Maior prêmio, no decurso
da vida de um trovador,
bem mais que ganhar concurso,
é erguer o troféu do Amor!
Fez plástica no nariz
e comprou peruca loura…
Pirracenta, a outra diz:
- Falta montar na vassoura…
Neste mundo tão mesquinho,
é um prazer ouvir a voz
de quem faz o bem sozinho,
mas usa o pronome “Nós”.
Num dos lances mais astutos
que a vida tem-me inspirado,
eu mostro os olhos enxutos,
e escondo o lenço molhado.
Olhaste...Nada foi dito,
mas consegui decifrar
um conto de amor, escrito
no apelo do teu olhar!
Que este preceito se integre
ao meu simples dia-a-dia:
Melhor do que estar alegre,
só mesmo dar alegria
Se ausência é cena vazia,
guarda, invisível, latente,
a marca de algo que, um dia,
ali já esteve presente
Sinto imensa gratidão
por alguém que nunca vi,
mas que fez a plantação
dos frutos que hoje colhi!
Não sei quem é mais feliz,
quem é mais abençoado:
- Se é quem recebe ou quem diz
um simples "muito obrigado".
Onde a sombra cobre e embaça
o sol que anima e clareia,
eu quisera ser quem passa
e reacende a luz alheia.
Não há ciência bastante,
de nenhum ramo ou setor,
que explique o sublime instante
em que Deus cria uma flor!
Um laço azul no cabelo,
meu vestido de organdi...
Mamãe... seu amor... seu zelo...
- Por que, meu Deus, eu cresci?
Arrumei minha bagagem
com sonhos e fantasia,
e agora, no fim da viagem,
abro a mala... está vazia.
Somos heróis, sem medalhas,
vencendo, com valentia,
as anônimas batalhas,
na luta de cada dia.