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Homenagem Póstuma: Edmar Japiassu Maia (31.01.1941- 20.12.2025)


Faleceu no estado do Rio de janeiro, na tarde de hoje, dia 20 de dezembro de 2025, o Magnífico Trovador Edmar Japiassu Maia, aos 84 anos; um dos maiores nomes da Trova no Brasil - Segundo Arlindo Tadeu Hagen "o maior trovador de humor de todos os tempos"; uma imensurável perda para o Movimento Trovadoresco Nacional. Edmar deixa um legado de amor à poesia em especial à Trova e Soneto e uma imensa saudade. Até o momento da publicação desta homenagem não temos ainda informações sobre os procedimentos de velório e sepultamento.


Em sua homenagem transcrevemos artigo da lavra da trovadora, Wanda de Paula Mourthé.


Edmar Japiassú Maia

Nasceu no Rio de Janeiro, sob o signo de Aquário, exatamente à hora do ângelus. Formou-se em Educação Física pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, como pós-graduação em Natação e Futebol, esporte que também praticou profissionalmente, tendo pertencido às seleções carioca e brasileiras Pan-americana e Olímpica.

Foi atleta do Flamengo, tendo se iniciado nas categorias de base, Campo Grande, Olaria, e Paysandu, de Belém do Pará, onde encerrou sua carreira esportiva profissional. Casado com Cirlene Japiassú Maia, é pai de dois filhos, Marco Aurélio e Marcello.

Sua incursão pelos caminhos poéticos vem da adolescência, porém só bem mais tarde, por insistência de seu pai, Florestan Japiassú Maia, também poeta, engrenou em suas participações literárias.

Japiassú conheceu a União Brasileira de Trovadores em 1985 e permanece nela até hoje. Sua maior conquista foi a quantidade de amigos que mantém, graças aos constantes contatos em Jogos Florais e Concursos por todo o Brasil.

Japiassú é um dos mais - talvez o mais - premiados trovadores do Brasil. Entre os títulos conquistados através da Trova, estão o de Magnífico Trovador de Nova Friburgo, nos gêneros lírico/filosófico e humorístico; Notável Trovador em Pouso Alegre; Trovador-Maior em Magé e é detentor do Troféu Lilinha Fernandes (para o trovador mais premiado do Brasil) por seis vezes. Conquistou ainda o Concurso Nacional Intersedes em quatro oportunidades. São recordes difíceis de serem batidos.

Japiassú tem ainda o Soneto Clássico como uma de suas preferências, compondo nesse gênero em ocasiões especiais.

Sua estreia em livros deu-se com «Sóis e Orvalhos»,de sonetos, poesias clássicas e livres. Prismas foi seu segundo livro, sendo totalmente dedicado à trova.

«Edmar Japiassú Maia é tão grande que me sinto pequena para comentar “Acalantos”, seu livro de trovas recém-publicado. Mas nossa velha amizade me encoraja a “palpitar” sobre esse livro, mesmo porque já palpitei de emoção com sua leitura. O título é bonito e pertinente: do começo ao fim, somos embalados pela musicalidade das trovas líricas e filosóficas. Lê-las é mergulhar na própria essência da Poesia.

Se eu tivesse que definir as trovas de Edmar com uma única palavra, diria, sem hesitar: criatividade. É difícil destacar alguma entre tantas originais, mas arrisco:


Não sou no mundo um incréu

e bem sei que, em seus estágios,

as estradas para o céu

cobram em vida os pedágios!


Nesses exemplos, Edmar usa um dos mais belos recursos estilísticos, o antropomorfismo.


Por mais que a vida se oponha,

traze os sonhos junto a ti,

porque, aos olhos de quem sonha,

o Infinito... é logo ali!


Às vezes, a malicia se ancora no jogo de palavras, o que torna a trova sutilmente engraçada:


Faminto, gritou na festa :

− Eu quero comer bobó!

E o surdo vovô protesta:

− Rapaz... respeite a vovó!


Outras vezes, a malícia é levemente insinuada:


Todo mundo acha um regalo

comer galinha com a mão...

Mas, pela farra do galo,

ele é a única exceção!


Uma crítica social inteligente e bem-humorada:


Para a elite é diferente

um devedor rotineiro:

sendo rico... é inadimplente;

sendo pobre... é caloteiro!


Edmar, “Acalanto” me proporcionou momentos de puro encantamento e de incontroláveis risadas! Parabéns, querido amigo!


Fechava o gol, sempre audaz,

pois era grande goleiro,

mas nas trovas, que hoje faz,

em gols de placa... é artilheiro!


Wanda de Paula Mourthé

(publicado originalmente em 12.01.2014 -


Seguem algumas trovas de autoria de Edmar Japiassu:


Desvio o olhar quando passa,

num receio, que alimento,

de que a volúpia devassa

devasse o meu pensamento.


Arranchei duas esteiras

na varanda, à luz de velas,

mas receio que não queiras

tomar posse de uma delas...


Pelo amor que a mim ressoa,

migro ao topo das venturas...

e um pássaro, quando voa,

já não receia as alturas!


Atento às mentiras rotas

e ao “farto” amor que proclamas,

receio falsas as gotas

das lágrimas que derramas...


Não receio a tempestade,

se é por você que me arrisco:

para alguém que tem saudade,

a tempestade é um chuvisco!


Nem morto!”... grita o coveiro

reconhecendo o finado.

“Só enterro esse caloteiro

se me pagar adiantado!”


Caloteiro conhecido

fez a promessa... E, no entanto,

depois de ser atendido

deu um calote... no santo!


Ao agiota em apuros,

o caloteiro afirmava

que fez o empréstimo a juros...

mas não jurou que pagava!


CORAÇÃO – no árduo destino

de penas de amor que oferto,

és o falcão peregrino

na solidão de um deserto!


O ciúme nos desvenda

um deserto imenso e atroz...

Mas no deserto há uma tenda

que o amor ergueu para nós!


Nosso quarto, onde acoberto

momentos de amor frustrados,

para mim hoje é um deserto

de poucos metros quadrados...


Por um amor clandestino,

preso a mágoas indefesas,

asilei o meu destino

num deserto de incertezas!


Aos sentimentos alheia,

recusas tudo o que oferto:

teu amor é um grão de areia...

mas faz falta em meu deserto!


Na aldeia, as índias se arriscam

pescando no igarapé...

Se os peixes pouco beliscam,

quem mais belisca é o pajé!


O ex-pescador tem ideias

de guiar carretas cheias,

para ganhar nas boleias

o que perdeu nas baleias!


Porque neles pode expor

sua emoção mais secreta,

são sempre em versos de amor

as súplicas de um poeta...


Ergui à estrela mais bela

minha súplica veemente...

Foi em vão... pois justo aquela

era uma estrela cadente!


Ante uma dor mais acesa,

quando o amor não se dispersa,

suplico trégua à tristeza

que insiste em puxar conversa...


Um réu na luta constante

por carinhos que cobiça,

sou aquele suplicante

que espera amor... por justiça!


AMOR – que loucura estranha!

- Chicoteia com rigor,

e a gente suplica... apanha...

mas não desiste da dor.

Entre os múltiplos pecados

que a noite me vem propor,

os sonhos mais desvairados

são sempre os sonhos de amor!


O ciúme incontrolado

que me toma, pouco a pouco,

vai tornando desvairado

nosso amor... já meio louco!


Ao perceber que ela finge

meus desejos reprimir,

o desvario me atinge...

e eu não consigo fingir!


Meu amor que é mais intenso

quando assume os desafios,

abre mão do teu bom senso,

em favor dos desvarios...


Nas asas do desvario,

tentando um sonho alcançar,

eu despenquei no vazio,

mas... aprendi a voar!


Da paixão em nós presente

fulge um desejo tão farto,

que a lua, em quarto crescente

parece cheia em meu quarto...


A Diretoria Nacional

 
 
 

8 comentários


Alexis Japiassu Maia Jr
21 de dez. de 2025

Como sobrinho do Edmar Japiassu Maia, venho aqui agradecer de coração, todas as manifestações de afeto, carinho, admiração e respeito.

Certo que meu tio foi muito amado, e por mim, assim continuará.


Meu amado tio

Sei aonde vais

Com ajuda do divino compadrio

Te esquecer, jamais.


Alexis Japiassu


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Alexis Japiassu
21 de dez. de 2025
Respondendo a

Ilma Presidente

Sra Andréa Motta.


Meu tio sempre me transmitiu um enorme carinho, respeito e orgulho pela UBT.

Mas nos últimos quase 8 anos com fatídicos falecimentos, num curto intervalo de meses de seu filho mais novo e de sua companheira de anos, ele sofreu muito, deixando de fazer o que ele amava com frequência.

Com o mesmo amor e carinho que ele me dispensava, tentei retribuí-lo,mais ainda, durante este dificil período, mas sabemos que não é fácil. Juntando tudo isso com algumas doenças crônicas e outras surgindo pela idade, foi fatal.

Mas ele era sempre foi muito sensível nesta vida terrena e tenho certeza absoluta que está sendo acolhido no plano espiritual pelo nosso Pai Maior, Jesus Cristo, guardando-o..

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Renato Alves
20 de dez. de 2025

Magnífico trovador em Nova Friburgo, magnífica e queridíssima figura humana da Trova Brasileira, Edmar deixa um legado insuperável na arte poética de um modo geral. A UBT-Rio de Janeiro e a UBT-Nova Friburgo tiveram a honra de tê-lo em seus quadros de associados por longos anos. Deixa uma imensa lacuna no movimento trovadoresco e um enorme vazio no coração de seus amigos e companheiros. Vá em Paz, Edmar!

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Sueli Fernandes
20 de dez. de 2025

Paralise ao ver a notícia do passamento do Japuassu, um dos meus trovadores mais queridos. Convivi com ele, a esposa e minha mãe, Amália Max, num encontro em Belém-PA. Vá em paz, trovador!

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Paulo Cezar Tórtora
20 de dez. de 2025

Descanse em paz, trovador. O Paraíso será mais poético com seus versos.

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Rose Gomes
Rose Gomes
20 de dez. de 2025

Quanta tristeza que sinto,

por Japiassu partir;

foi trovar em um recinto

onde aplausos vão surgir.

Rozimar Gomes UBT Seção Viçosa-MG


Muitas saudades! Descanse em paz!

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