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J.G. de Araújo Jorge

Associado Fundador e Benemérito da

União Brasileira de Trovadores

Breve Biografia

José Guilherme de Araújo Jorge[1] nasceu em Tarauacá (AC) no dia 20 de maio de 1916, filho de Salvador Augusto de Araújo Jorge e de Zilda Tinoco de Araújo Jorge.

Estudou nos colégios Anglo-Brasileiro, Anglo-Americano e Pedro II, todos no Rio de Janeiro, então Distrito Federal, diplomando-se por este último, em 1932, em ciências e letras. Ainda ginasiano iniciou sua carreira literária com Meu céu interior (poesia), que recebeu menção honrosa da Academia Brasileira de Letras. Em 1934 viajou à Alemanha, onde fez um curso de extensão cultural no Deutsche Institut Für Auslaender na Universidade de Berlim. Nesse mesmo ano esteve em Portugal, a convite do governo deste país, como integrante da Embaixada Universitária Osvaldo Aranha e, em 1936, na Argentina, por ocasião da inauguração do monumento ao presidente Saens Peña, como membro da Embaixada Presidente Justo. No ano seguinte bacharelou-se em ciências jurídicas e sociais pela Faculdade Nacional de Direito da Universidade do Brasil.

Após a extinção do Estado Novo (1937-1945), concorreu em dezembro de 1945 a um mandato de deputado pelo Distrito Federal à Assembleia Nacional Constituinte na legenda do Partido Republicano (PR), obtendo, porém, apenas uma suplência. No ano seguinte teve seu livro Eterno motivo contemplado com o Prêmio Raul de Leoni, da Academia Carioca de Letras.

Técnico educacional do Ministério da Educação e Cultura, foi também orientador do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) em Nova Friburgo (RJ), funcionário do Instituto de Pensões e Aposentadoria dos Servidores do Estado (IPASE) e professor do Colégio Pedro II, onde, em 1950, concorreu à cátedra de literatura com a tese A poética moderna. Como jornalista, foi redator dos jornais A Manhã e Resistência e da revista PN, além de colaborador, durante muitos anos, do Correio da Manhã, todos do Rio de Janeiro, onde foi ainda redator e locutor das rádios Nacional e Cruzeiro do Sul. Como publicitário, foi chefe de redação da McCann Erickson Publicidade, tendo atuado também como chefe de vendas da empresa Listas Telefônicas Brasileiras (LTB).

No pleito de outubro de 1954 candidatou-se a uma cadeira na Câmara Municipal do Distrito Federal na legenda da União Democrática Nacional (UDN), obtendo a segunda suplência. Em outubro de 1958 disputou um mandato de deputado federal pelo Distrito Federal na legenda do Partido Socialista Brasileiro (PSB) e, mais uma vez, conquistou apenas uma suplência.

Após o movimento político-militar de 31 de março de 1964 que depôs o presidente João Goulart (1961-1964) e com a extinção dos partidos políticos pelo Ato Institucional nº 2 (27/10/1965) e a consequente implantação do bipartidarismo, filiou-se ao Movimento Democrático Brasileiro (MDB), partido de oposição ao regime militar, legenda na qual se elegeu em novembro de 1970 deputado federal pelo estado da Guanabara. Empossado em fevereiro do ano seguinte, foi eleito vice-líder do partido na Câmara dos Deputados, condição à qual seria reconduzido em 1972 e em 1973. Logo no início da legislatura, apresentou, em abril de 1971, um projeto estabelecendo que os cidadãos atingidos pelos atos institucionais — decretados após a deposição do presidente João Goulart — fossem autorizados a solicitar dos poderes públicos a instauração de processos regulares ou a revisão dos processos a que estavam submetidos. Considerado inconstitucional, o projeto foi arquivado. Designado em 1971 vice-presidente da Comissão Especial do Menor Abandonado, no ano seguinte apresentou novo projeto, dessa vez propondo a criação de uma comissão que procedesse à revisão da cassação de mandatos parlamentares e direitos políticos até ali executados. A proposição foi, contudo, arquivada antes mesmo de apreciada.

Identificado com o “grupo autêntico” do MDB, entrou em conflito com o governador carioca e líder regional emedebista Antônio Chagas Freitas durante a campanha eleitoral de 1974. Virtualmente impedido com Lisânias Maciel e Edson Khair de usar o horário do partido na televisão, precisou recorrer ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que garantiu seu acesso ao programa. Realizado o pleito em novembro de 1974, obteve a reeleição. Durante essa legislatura exerceu as funções de vice-presidente da Comissão de Comunicações, de suplente das comissões de Segurança Nacional e de Educação e Cultura, e de relator parcial da comissão especial sobre redivisão territorial e política demográfica da Câmara dos Deputados. Reeleito em novembro de 1978, com a extinção do bipartidarismo em novembro de 1979, e a consequente reformulação partidária, filiou-se ao Partido Democrático Trabalhista (PDT). Nessa legislatura voltou a integrar a Comissão de Comunicações, passando também a suplente da Comissão de Relações Exteriores da Câmara.

Reelegeu-se em novembro de 1982 na legenda do PDT, assumindo sua cadeira em fevereiro seguinte. Na sessão da Câmara de 25 de abril de 1984, votou a favor da emenda Dante de Oliveira que, se confirmada pelo plenário, restabeleceria as eleições diretas para presidente da República em novembro do mesmo ano. Como a emenda não obteve a votação necessária para ser enviada ao Senado, decidiu apoiar, no Colégio Eleitoral de 15 de janeiro de 1985, a candidatura presidencial do ex-governador de Minas Gerais Tancredo Neves, eleito pela coligação oposicionista Aliança Democrática, formada pelo Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB) e pela dissidência do Partido Democrático Social (PDS) reunida na Frente Liberal.

Tancredo, no entanto, não chegou a assumir o cargo em 15 de março de 1985, data marcada para sua posse. Gravemente enfermo, veio a falecer em 21 de abril seguinte, sendo substituído na presidência por seu vice, José Sarney. Em 1986, J. G. de Araújo Jorge rompeu com o PDT e retornou ao PMDB, não conseguindo sua reeleição no pleito de novembro deste mesmo ano. Deixou a Câmara Federal em janeiro do ano seguinte, ao fim de seu mandato.

Era casado com Maria Sousa de Araújo Jorge. J.G.  teve dois filhos Igor e Tatiana

Foi um dos fundadores da União Brasileira de Trovadores.

Além das obras citadas e de artigos na revista Letras Brasileiras, do Rio de Janeiro, publicou Poesia (1934), Bazar de ritmos (1935), Cântico dos cânticos (1937), Amo! (1938), Cântico do homem prisioneiro (cânticos, 1941), Um besouro contra a vidraça (romance, 1942), Canto da terra (1945), Estudo da terra (1946), Antologia da nova poesia brasileira (1948), Festa de imagens (1948), A outra face (1949), Brasil com letra maiúscula (1960), Os mais belos sonetos que o amor inspirou (v. 1, 1961), Cantiga do só (1963), Trovadores brasileiros (1964), Trevos de quatro versos (trovas, 1964), Cantigas de menino grande (1965), Quatro damas (1965), Concerto a quatro mãos (em colaboração com Maria Helena, 1966), Mensagem (1966), Os mais belos sonetos que o amor inspirou (v. 2 e 3, 1966), De mãos dadas (1967), Canto a Friburgo (1967), Harpa submersa (1968), A sós (1969), Poemas do amor ardente (1969), Meus sonetos de amor (1969), O poder da flor (1969), No mundo da poesia (1970) e Espera (1971).

 

Faleceu na cidade do Rio de Janeiro, no dia 27 de janeiro de 1987.

[1] https://www18.fgv.br/cpdoc/acervo/dicionarios/verbete-biografico/jorge-jg-de-araujo

FONTES: CÂM. DEP. Deputados; CÂM. DEP. Deputados brasileiros. Repertório (1971-1975, 1975-1979 e 1979-1983); CÂM. DEP. Relação nominal; Estado de S. Paulo (6/3/76 e 28/1/87); Folha de S. Paulo (28/1/87); Globo (26/4/84, 16/1/85, 29/4/86, 28/1 e 2/2/87); Grande encicl. Delta; Grande encicl. portuguesa; Jornal do Brasil (28/1/87); MENESES, R. Dic.; NÉRI, S. 16; Perfil (1972 e 1980); ROQUE, C. Grande; SOC. BRAS. EXPANSÃO COMERCIAL. Quem; TRIB. SUP. ELEIT. Dados (3); Veja (4/2/87).

Trovas

Rosas tolas, tão vaidosas,

que em belas hastes vicejam...
Vem, amor, olha estas rosas,
quero que as rosas te vejam!

 

A Vida, - mistério vão
sombra agora, depois luz,
- estranho traço de união
ligando um berço... a uma cruz!

Vive a vida bem vivida
e ao mais, esquece e releva,
que a gente leva da vida
a vida que a gente leva...

Ah, mãos tão frágeis, parecem
pedir arrimo e guarida...
E entretanto, se quisessem
guiariam minha vida...

Por duas Marias erra
meu viver de déu em déu:
- a que me perde, na terra,
- a que me me salva, no céu.

Ao ler uma bela trova
depois que pronta ficou,
- quem calcula a dura prova
por que o poeta passou?

Tu tão moça, eu tão vivido...
Tantos anos de permeio.
- Bem poderias ter sido
o grande amor que não veio...

Neste dia belo e doce
de festa, - sentimental,
- quem dera que Você fosse
meu presente de Natal!

Nessa eterna e dura lida
renasço a cada momento
lavando as dores da vida
no rio do esquecimento...

Tu queres mais, sempre mais...
Sê comedido, prudente...
Até o bem quando é demais
acaba enjoando a gente...

Pobre alma triste e cativa!
E há quanta gente como eu
a pensar que ainda está viva
sem saber que já morreu.

Coração – pobre realejo –
com canções velhas e novas...
Tudo o que sinto, e o que vejo,
vais tocando.... em minhas trovas...

No meu carro vou tranquilo,
tenha a estrada sombra ou luz,
pois bem sei que, ao dirigi-lo,
eu dirijo... Deus conduz!...

Ó minha mãe! Em teus cantos,
num grato e eterno estribilho,
bendigo a Deus que, entre tantos,
me escolheu para teu filho!

 

Moeda de estranho valor
que o coração faz cunhar:
quanto mais se gasta o amor,
mais se tem para gastar!


Quando maior é o carinho
às vezes, tenho a impressão
de que conversam baixinho...
tua mão... em minha mão...

Quanta prodigalidade!
Em poucos meses, querida,
gastamos felicidade
que dava pra toda vida!

Tudo é trova: a flor, a onda,
a nuvem que passa ao léu...
E a lua... trova redonda
que a noite canta no céu...

Diz que é rico... Pode ser...
Mas pode ser que não seja...
Ser rico é apenas poder
fazer o que se deseja...

Na despedida - com pressa -
escrever me prometeste.
Esqueceste da promessa
ou apenas me esqueceste?

Ah, quando escuto teus passos
meu coração se acelera,
que um só minuto em teus braços
compensa a angústia da espera!

Que eu não tenho coração
não és tu, sou eu que digo...
- Como hei de ter coração
se tu o levas contigo?

Do amor e da desconfiança,
infeliz casal, sem lar,
nasce o ciúme - essa criança
tão difícil de educar...

Mentiste. A felicidade
só mentida, assim se expande...
Nem podia ser verdade
felicidade tão grande!

Belos e cheios, marcados
por teu decote, adivinho
teus seios aconchegados
como dois pombos num ninho...

E eis a suprema ironia
ao meu coração ferido:
- tu foste trair-me um dia,
mas, com quem? - com teu marido...

Endereço:

Rua Fernando Moreira, 370. Centro. CEP 80410.120. Curitiba-Paraná

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